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Palavra do Leitor

Apresento a vocês as impressões do primeiro leitor de "Antes tese", meu amigo e também publicitário e designer Tiago Augusto Rodrigues que acabou compondo o prefácio do livro.

Fui convidado a ler o romance de estréia de Renata Cunha, a quem há pouco mais de dois anos tenho chamado de amiga e em retribuição, não poderia deixar de lhe escrever algo, assim compartilho aqui minhas impressões sobre sua obra.

Uma filosofia regada a goles de chá, Antes Tese não defende uma tese, posto que elas já estejam por aí à espera de alguém que possa entrar em conflito com elas; ela nos insere em um provocante jogo de ação, reação e reflexão sobre uma realidade denunciada em uma ficção fecundada de emoções empíricas.

Dotada de uma escrita com certas doses que beiram uma complexidade quase caleidoscópica, que se equilibra numa poesia contada em crônicas do cotidiano, Antes Tese disfarça-se de uma ingenuidade envergonhada, mas de fato com um discurso nem um pouco tolo.

Fazendo jus ao ditado, Renata mostra que conhecimento não é aquilo que sabemos e sim aquilo que fazemos com o que sabemos. Desta forma somos apresentados não apenas há um trabalho de dois anos, mas sim a uma obra construída durante os vinte anos da autora.

Prepare-se para muitas vezes perguntar-se “Porque eu nunca pensei nisso antes?”, Antes Tese cutuca as feridas humanas da razão, da “perfeição”, do medo e do desespero. As personagens existem porque precisam existir, estão fora do controle de seu próprio criador, caminham por passos próprios, existindo simplesmente enquanto devem existir.
 

Sem perceber, somos convidados sem recusa a nos abstrair de nossos próprios atos, e imergir ora nas entrelinhas do que pensamos dizer o narrador, ora naquilo que imaginamos ser o imaginado pelo autor. Entretanto, não existem certezas, Antes Tese não busca sínteses. Seríamos bobos demais se procurássemos uma conclusão ou um sentido para todas as coisas, que dirá, tudo pode não ter sentido algum.


Sorocaba, 01 de julho de 2008.
Tiago Augusto Rodrigues.


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